sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Como preparar a escola para receber estudantes com necessidades educacionais especiais...


Veja abaixo alguns tópicos que considero em minha intervenção sobre  “Como preparar a escola para receber o estudante com necessidades especiais”


O mundo não é. O mundo está sendo - Paulo Freire

1 - Pensar a Educação Inclusiva requer conhecer o histórico que justifica a reflexão sobre a inclusão! 

  • ·        Crença:  A pessoa diferentes seria mais  bem cuidada e protegida se confinada em ambiente separado. Proteger a sociedade dos “anormais”. (Asilos e manicômios).
  • ·         Século XVI: Médicos e pedagogos  questionam a situação de “ineducáveis”.
  • ·         A institucionalização da escolaridade obrigatória: Incapacidade da escola em responder pela aprendizagem de todos os alunos (Sec XIX)
  • ·         Em resposta à incapacidade da escola de educar a todos: Classes e escolas especiais em oposição às instituições residenciais (Pós as duas grandes guerras mundiais)
  • ·         Metade  do séc XX -  Montagem da indústria da reabilitação para tratar mutilados de guerra
  • ·         SEGREGAÇÃO: Sistema paralelo ao sistema educacional geral.
  • ·         INTEGRAÇÃO ESCOLAR: Todas as crianças com deficiências teriam o direito inalienável de PARTICIPAR de todos os programas e atividades cotidianas que eram acessíveis para as demais crianças (Movimentos Sociais pelos direitos humanos – Década de 1960) à  base moral (direito de todos) à base racional (benefícios da integração) à bases empíricas (pesquisas educacionais e re-visão do termo educável o do espaço destinado à aprendizagem) à Base política (Movimentos sociais e luta pelos direitos) à Base econômica ( Altos custos  dos programas esfregadores – crise do pretório – países desenvolvidos)
  • ·         PRINCÍPIO DA NORMALIZAÇÃO: Origem nos países escandinavos com Bank-Mikkelsen e Nirje que questionaram o abuso das instituições residenciais e das limitações deste estilo de vida. Estilo de vida normal à cultura. Chega a América do Norte e Europa a partir das propostas de Wolfensberger (conceito de normalização dos estilos de via e serviços) à configurou-se como princípio filosófico de valor e não como teoria científica = assegurar que as pessoas experienciassem  com dignidades e respeito individual situações e praticas apropriadas para sua idade com o máximo possível de participação.
  • ·         1980 o principio de normalização ganha o mundo e dele decorre a Integração Escolar. Contudo, questionava-se sobre os meios de operacionalizar esse princípio. FOCO: Preparar o individuo com deficiência para a vida em sociedade.
  • ·         A palavra ITEGRAÇÃO deriva do latim INTEGRARE, do adjetivo INTEGER = INTACTO, NÃO TOCADO OU ÍNTEGRO. Novo sentido = COMPOR, FAZER UM CONJUNTO, JUNTAR AS PARTES SEPARADAS
  • ·         Crítica ao princípio normalizador: a passagem de alunos com necessidades educacionais especiais de um serviço mais segregador para um integrador dependia unicamente do progresso das crianças sem mecanismos externos que viabilizassem.
  • ·         INCLUSÃO ESCOLAR:  1ª tese – iniciativa promovidas por agências multilaterais, que são tomadas como marcos mundiais na história do movimento global de combate à exclusão social. 2º tese – surgiu como forma mais focalizada nos Estados Unidos e, por força da penetração da cultura desse país, ganhou a mídia e o mundo ao longo da década de 1990.
  • o   Contexto Estados Unidos: substituir o termo INTEGRAÇÃO utilizado ainda, inclusive na Europa,  pelo termo INCLUSÃO como a ideia de colocação de alunos com dificuldades prioritariamente nas classes comuns. ( Alunos considerados de risco compunham cerca da metade da população escolar daquele país) à  bifurcação: “Educação inclusiva” e “Inclusão total”.
  • ·         MARCOS MUNDIAIS:
  • o   1990 Conferência Mundial sobre Educação para Todos – Banco Mundial, UNESCO, UNICEF, PNUD - Jomtien/Tailândia (2% da população com deficiência com atendimento em qualquer modalidade educacional – em países pobres ou em desenvolvimento)
  • o   1994 – Conferência Mundial sobre necessidades Educacionais Especiais: acesso e qualidade = Declaração de Salamanca (1997)
  • o   PRINCIPIO DA INCLUSÃO: Proposta da aplicação prática ao campo da educação de um movimento mundial, denominado inclusão social, que implicaria a construção de um processo bilateral no qual as pessoas excluídas e a sociedade buscam, em parceria, efetivar a equiparação de oportunidades para todos – reconhecimento político das diferenças.
  • ·         PARADIGMA DA INCLUSÃO: Globaliza-se e torna-se, no final do século XX, palavra de ordem em praticamente toas as ciências humanas. (1998) 

CONFLITOS E VELHAS CONTROVÉRSIAS:



o   A inclusão é para todos, ou só para alguns?
o   A inclusão significa colocação integral na classe comum ou pode-se combinar a colocação na classe comum com situações especializadas de aprendizagem?
o   A inclusão prioriza a aprendizagem social e as amizades ou o desempenho acadêmico bem sucedido?
o   A inclusão será prejudicial ou positiva para os alunos sem “limitações”?
o   As experiências empíricas sustentam ou não a inclusão?


   Tais questionamentos encontram-se em um antigo dilema sobre qual é a natureza e o propósito da escolarização em si, e que, enquanto a inclusão poderia se parte de um debate maior sobre a função da escola, ela ainda se detém em onde e como os indivíduos podem aprender melhor.


2 - Perspectivas da inclusão escolar na realidade brasileira:

·         Iniciativas isoladas e precursoras já no séulo XIX fora do sistema educacional geral.
·         1950 – Movimentos comunitários que culminaram com a implantação de redes de escolas especiais privadas filantrópicas.
·         Integração espontânea ou não-planejada:  tipos mais bandos de deficiência tenha smpre tido alguma oportunidade de acesso à escola comum em países com cobertura deficitária.
·         1970: Ampliação do acesso à escola para a população e geral, da produção do fracasso escolar e da consequente implantação das classes especiais nas escolas públicas.
·         A institucionalização da educação especial no Brasil se deu no auge da hegemonia da filosofia de normalização no contexto mundial.
·         1990 Emerge o discurso da Educação Inclusiva (aprox. 30 anos de politica de integração)

·         DESAFIOS:

o   Acesso – a maioria (cerca de 6 milhões de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais encontram-se fora de qualquer tipo de escola)
o   Educação não apropriada – falta de profissionais especializados ou falta generalizada de recursos.
o   Privatização x oferta no sistema público – filantropia x classes especiais de escolas comuns
o   Produção científica com base em experiências e depoimentos e estudos de casos não permitem avaliar o impacto da política educacional.
o   Tendências generalizantes das políticas públicas – federais, estaduais, municipais
o   Tema demasiadamente complexo e relativamente novo.


A Educação Inclusiva não é. Não está posta. Está em movimento!


o   Acesso a Educação – obrigatoriedade –Requer acolhimento
o   Não basta o Acolhimento – É necessário garantir condições efetivas de aprendizagem e desenvolvimento de suas potencialidades – Requer conhecer os sujeitos e suas particularidades
o   Como então preparar a escola para receber alunos com necessidades especiais?
o    
Os quatro pilares da Educação são conceitos de fundamento da educação baseados no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors.




1.       Conhecer-SE:  
Enquanto profissional subjetivo e coletivo
Enquanto instituição de ensino – pública ou privada
Enquanto sociedade e numa dimensão política
Enquanto ser humano num processo de humanização heteronômica

2.       Com-Viver:

Com as possibilidades das diferenças
Com a pluralidade de saberes e fazeres
Com as singularidades do plural
Com novos sujeitos de direito
Com os desafios e com a construção de respostas

3.       Ser – Institucionalizar a inclusão

Potencializar a construção de uma Escola em interface com diferentes contextos: políticos, sociais, culturais, econômicos.
Romper processos de marginalização, assistencialismo e reabilitação
Questionar-se enquanto escola, professor (a), questionar práticas e problematizar relações e interpelações
Repensar linguagens, estruturas materiais e imateriais


4.       Fazer ... diferente e fazer a diferença

Por meio de estudos de casos – Caso a Caso
Construção coletiva de intervenções pedagógicas
Busca de parcerias, redes, assessorias, trocas
Cobrar serviços complementares
Dialogo constante – são vários os atores deste processo

Remendo novo em roupa velha... Odre novo... vinho velho?

UMA NOVA ESCOLA É POSSÍVEL E NECESSÁRIA




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MENDES, Enicéia Gonçalves. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 33, p. 387-405, 2006.
SANCHES, Isabel; TEODORO, António. Da integração à inclusão escolar: cruzando perspectivas e conceitos. Revista Lusófona de Educação, v. 8, n. 8, 2006.
FRIAS, Elzabel Maria Alberton; MENEZES, Maria Christine Berdusco. Inclusão Escolar do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais: Contribuições ao professor do ensino regular. 2013.


Como preparar a escola para receber estudantes com necessidades educacionais especiais...


Veja abaixo alguns tópicos que considero em minha intervenção sobre  “Como preparar a escola para receber o estudante com necessidades especiais”


O mundo não é. O mundo está sendo - Paulo Freire

1 - Pensar a Educação Inclusiva requer conhecer o histórico que justifica a reflexão sobre a inclusão! 

  • ·        Crença:  A pessoa diferentes seria mais  bem cuidada e protegida se confinada em ambiente separado. Proteger a sociedade dos “anormais”. (Asilos e manicômios).
  • ·         Século XVI: Médicos e pedagogos  questionam a situação de “ineducáveis”.
  • ·         A institucionalização da escolaridade obrigatória: Incapacidade da escola em responder pela aprendizagem de todos os alunos (Sec XIX)
  • ·         Em resposta à incapacidade da escola de educar a todos: Classes e escolas especiais em oposição às instituições residenciais (Pós as duas grandes guerras mundiais)
  • ·         Metade  do séc XX -  Montagem da indústria da reabilitação para tratar mutilados de guerra
  • ·         SEGREGAÇÃO: Sistema paralelo ao sistema educacional geral.
  • ·         INTEGRAÇÃO ESCOLAR: Todas as crianças com deficiências teriam o direito inalienável de PARTICIPAR de todos os programas e atividades cotidianas que eram acessíveis para as demais crianças (Movimentos Sociais pelos direitos humanos – Década de 1960) à  base moral (direito de todos) à base racional (benefícios da integração) à bases empíricas (pesquisas educacionais e re-visão do termo educável o do espaço destinado à aprendizagem) à Base política (Movimentos sociais e luta pelos direitos) à Base econômica ( Altos custos  dos programas esfregadores – crise do pretório – países desenvolvidos)
  • ·         PRINCÍPIO DA NORMALIZAÇÃO: Origem nos países escandinavos com Bank-Mikkelsen e Nirje que questionaram o abuso das instituições residenciais e das limitações deste estilo de vida. Estilo de vida normal à cultura. Chega a América do Norte e Europa a partir das propostas de Wolfensberger (conceito de normalização dos estilos de via e serviços) à configurou-se como princípio filosófico de valor e não como teoria científica = assegurar que as pessoas experienciassem  com dignidades e respeito individual situações e praticas apropriadas para sua idade com o máximo possível de participação.
  • ·         1980 o principio de normalização ganha o mundo e dele decorre a Integração Escolar. Contudo, questionava-se sobre os meios de operacionalizar esse princípio. FOCO: Preparar o individuo com deficiência para a vida em sociedade.
  • ·         A palavra ITEGRAÇÃO deriva do latim INTEGRARE, do adjetivo INTEGER = INTACTO, NÃO TOCADO OU ÍNTEGRO. Novo sentido = COMPOR, FAZER UM CONJUNTO, JUNTAR AS PARTES SEPARADAS
  • ·         Crítica ao princípio normalizador: a passagem de alunos com necessidades educacionais especiais de um serviço mais segregador para um integrador dependia unicamente do progresso das crianças sem mecanismos externos que viabilizassem.
  • ·         INCLUSÃO ESCOLAR:  1ª tese – iniciativa promovidas por agências multilaterais, que são tomadas como marcos mundiais na história do movimento global de combate à exclusão social. 2º tese – surgiu como forma mais focalizada nos Estados Unidos e, por força da penetração da cultura desse país, ganhou a mídia e o mundo ao longo da década de 1990.
  • o   Contexto Estados Unidos: substituir o termo INTEGRAÇÃO utilizado ainda, inclusive na Europa,  pelo termo INCLUSÃO como a ideia de colocação de alunos com dificuldades prioritariamente nas classes comuns. ( Alunos considerados de risco compunham cerca da metade da população escolar daquele país) à  bifurcação: “Educação inclusiva” e “Inclusão total”.
  • ·         MARCOS MUNDIAIS:
  • o   1990 Conferência Mundial sobre Educação para Todos – Banco Mundial, UNESCO, UNICEF, PNUD - Jomtien/Tailândia (2% da população com deficiência com atendimento em qualquer modalidade educacional – em países pobres ou em desenvolvimento)
  • o   1994 – Conferência Mundial sobre necessidades Educacionais Especiais: acesso e qualidade = Declaração de Salamanca (1997)
  • o   PRINCIPIO DA INCLUSÃO: Proposta da aplicação prática ao campo da educação de um movimento mundial, denominado inclusão social, que implicaria a construção de um processo bilateral no qual as pessoas excluídas e a sociedade buscam, em parceria, efetivar a equiparação de oportunidades para todos – reconhecimento político das diferenças.
  • ·         PARADIGMA DA INCLUSÃO: Globaliza-se e torna-se, no final do século XX, palavra de ordem em praticamente toas as ciências humanas. (1998) 

CONFLITOS E VELHAS CONTROVÉRSIAS:



o   A inclusão é para todos, ou só para alguns?
o   A inclusão significa colocação integral na classe comum ou pode-se combinar a colocação na classe comum com situações especializadas de aprendizagem?
o   A inclusão prioriza a aprendizagem social e as amizades ou o desempenho acadêmico bem sucedido?
o   A inclusão será prejudicial ou positiva para os alunos sem “limitações”?
o   As experiências empíricas sustentam ou não a inclusão?


   Tais questionamentos encontram-se em um antigo dilema sobre qual é a natureza e o propósito da escolarização em si, e que, enquanto a inclusão poderia se parte de um debate maior sobre a função da escola, ela ainda se detém em onde e como os indivíduos podem aprender melhor.


2 - Perspectivas da inclusão escolar na realidade brasileira:

·         Iniciativas isoladas e precursoras já no séulo XIX fora do sistema educacional geral.
·         1950 – Movimentos comunitários que culminaram com a implantação de redes de escolas especiais privadas filantrópicas.
·         Integração espontânea ou não-planejada:  tipos mais bandos de deficiência tenha smpre tido alguma oportunidade de acesso à escola comum em países com cobertura deficitária.
·         1970: Ampliação do acesso à escola para a população e geral, da produção do fracasso escolar e da consequente implantação das classes especiais nas escolas públicas.
·         A institucionalização da educação especial no Brasil se deu no auge da hegemonia da filosofia de normalização no contexto mundial.
·         1990 Emerge o discurso da Educação Inclusiva (aprox. 30 anos de politica de integração)

·         DESAFIOS:

o   Acesso – a maioria (cerca de 6 milhões de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais encontram-se fora de qualquer tipo de escola)
o   Educação não apropriada – falta de profissionais especializados ou falta generalizada de recursos.
o   Privatização x oferta no sistema público – filantropia x classes especiais de escolas comuns
o   Produção científica com base em experiências e depoimentos e estudos de casos não permitem avaliar o impacto da política educacional.
o   Tendências generalizantes das políticas públicas – federais, estaduais, municipais
o   Tema demasiadamente complexo e relativamente novo.


A Educação Inclusiva não é. Não está posta. Está em movimento!


o   Acesso a Educação – obrigatoriedade –Requer acolhimento
o   Não basta o Acolhimento – É necessário garantir condições efetivas de aprendizagem e desenvolvimento de suas potencialidades – Requer conhecer os sujeitos e suas particularidades
o   Como então preparar a escola para receber alunos com necessidades especiais?
o    
Os quatro pilares da Educação são conceitos de fundamento da educação baseados no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors.




1.       Conhecer-SE:  
Enquanto profissional subjetivo e coletivo
Enquanto instituição de ensino – pública ou privada
Enquanto sociedade e numa dimensão política
Enquanto ser humano num processo de humanização heteronômica

2.       Com-Viver:

Com as possibilidades das diferenças
Com a pluralidade de saberes e fazeres
Com as singularidades do plural
Com novos sujeitos de direito
Com os desafios e com a construção de respostas

3.       Ser – Institucionalizar a inclusão

Potencializar a construção de uma Escola em interface com diferentes contextos: políticos, sociais, culturais, econômicos.
Romper processos de marginalização, assistencialismo e reabilitação
Questionar-se enquanto escola, professor (a), questionar práticas e problematizar relações e interpelações
Repensar linguagens, estruturas materiais e imateriais


4.       Fazer ... diferente e fazer a diferença

Por meio de estudos de casos – Caso a Caso
Construção coletiva de intervenções pedagógicas
Busca de parcerias, redes, assessorias, trocas
Cobrar serviços complementares
Dialogo constante – são vários os atores deste processo

Remendo novo em roupa velha... Odre novo... vinho velho?

UMA NOVA ESCOLA É POSSÍVEL E NECESSÁRIA




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MENDES, Enicéia Gonçalves. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 33, p. 387-405, 2006.
SANCHES, Isabel; TEODORO, António. Da integração à inclusão escolar: cruzando perspectivas e conceitos. Revista Lusófona de Educação, v. 8, n. 8, 2006.
FRIAS, Elzabel Maria Alberton; MENEZES, Maria Christine Berdusco. Inclusão Escolar do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais: Contribuições ao professor do ensino regular. 2013.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Palestra: É difícil aprender??


DISTÚRBIOS, TRANSTORNOS DIFICULDADES, OU PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM: COMO DEFINIR?








A definição do que se considera como distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem é ainda conturbada, com vasta literatura a respeito e, por vezes, com concepções divergentes entre si.

Estes conceitos, geralmente, vêm sendo utilizados de maneira aleatória, tanto na literatura especializada, quanto na prática escolar.  França (1996) aponta que há uma certa tendência, por parte dos defensores da abordagem comportamental, a utilizar o termo “distúrbio”, uma vez que este termo se relaciona à condição individual do sujeito, enquanto os construtivistas parecem ser adeptos ao termo “dificuldade”, termo que amplia a noção de aprendizagem também para as condições sócio-culturais.

Etimologicamente, a palavra distúrbio compõem-se do radical turbare e do prefixo dis. O radical turbare significa “alteração violenta na ordem natural” e pode ser identificado também nas palavras turvo, turbilhão, perturbar e conturbar. O prefixo dis tem como significado “alteração com sentido anormal, patológico” e possui valor negativo. O prefixo dis é muito utilizado na terminologia médica (por exemplo: distensão, distrofia). Em síntese, do ponto do vista etimológico, a palavra distúrbio pode ser traduzida como “anormalidade patológica por alteração violenta na ordem natural”.

De acordo com Collares e Moyses (1992) a utilização indiscriminada da expressão “distúrbios da aprendizagem” no cotidiano escolar seria mais um reflexo do processo de patologização da aprendizagem ou da biologização das questões sociais.

A definição estabelecida em 1981 pelo National Joint Comittee for Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem), nos Estados Unidos da América,
Distúrbios de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central. Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto dessas condições ou influências. (Collares e Moysés, 1992: 32)

O uso desse termo nos chama atenção para a existência de educandos/as que, apresentam dificuldades de aprendizagem, embora, aparentemente não não possuam deficiências físicos, sensoriais, intelectuais ou emocionais. Consequentemente, durante anos, esses indivíduos foram ignorados, mal diagnosticados ou maltratados e as dificuldades que demonstravam foram, na maioria das vezes, designadas de maneira equivocada.

Outra terminologia recorrente na literatura especializada é a palavra “transtorno”. Segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças, elaborado pela Organização Mundial de Saúde:

O termo “transtorno” é usado por toda a classificação, de forma a evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou “enfermidade”. “Transtorno” não é um termo exato, porém é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado, na maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais (CID - 10, 1992: 5).

Sobre os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares afirma-se que são transtornos nos quais os padrões normais de aquisição de habilidades são perturbadas desde os estágios iniciais do desenvolvimento. “ Eles não são simplesmente uma conseqüência de uma falta de oportunidade de aprender nem são decorrentes de qualquer forma de traumatismo ou de doença cerebral adquirida. Ao contrário, pensa-se que os transtornos originam-se de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica (CID - 10, 1992: 236).

Os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares geralmente ocorrem junto com outras síndromes clínicas, como por exemplo, o transtorno de déficit de atenção ou o transtorno de conduta, ou outros transtornos do desenvolvimento, tais como o transtorno específico do desenvolvimento da função motora ou os transtornos específicos do desenvolvimento da fala e linguagem.

Estes transtornos apresentam como causas, tanto fatores biológicos, quanto fatores não biológicos (oportunidade de aprender e qualidade de ensino, por exemplo). Contudo, o atraso do desempenho escolar de crianças em um estágio posterior de suas vidas escolares, devido à falta de interesse, a um ensino deficiente, a perturbações emocionais ou ao aumento ou mudança no padrão de exigência das tarefas, não podem ser considerados Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares.

Há ainda um grupo de indivíduos que, conforme pontua Moojen (1999), apresenta baixo rendimento escolar, mas que, contudo, não demonstram imaturidade do desenvolvimento e/ou disfunção psiconeurológica.  Esse baixo rendimento escolar é denominado como “dificuldades de aprendizagem”. Nestes casos enquadram-se: os atrasos no desempenho escolar por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, ou seja, alterações evolutivas normais que foram consideradas no passado como alterações patológicas.

Fernández (1991) também considera as dificuldades de aprendizagem como sintomas ou “fraturas” no processo de aprendizagem, onde necessariamente estão em jogo quatro níveis: o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo. A dificuldade para aprender, segundo a autora, seria o resultado da anulação das capacidades e do bloqueamento das possibilidades de aprendizagem de um indivíduo e, a fim de ilustrar essa condição, utiliza o termo inteligência aprisionada (atrapada, no idioma original).

Para a autora, a origem das dificuldades ou problemas de aprendizagem não se relaciona apenas à estrutura individual do sujeito, mas também à estrutura familiar a que esse está vinculado. As dificuldades de aprendizagem estariam relacionadas às seguintes causas:
1. Causas externas à estrutura familiar e individual: originariam o problema de aprendizagem reativo, o qual afeta o aprender mas não aprisiona a inteligência e, geralmente, surge do confronto entre o aluno e a instituição;
2. Causas internas à estrutura familiar e individual: originariam o problema considerado como sintoma e inibição, afetando a dinâmica de articulações necessárias entre organismo, corpo, inteligência e desejo, causando o desejo inconsciente de não conhecer e, portanto, de não aprender;
3. Modalidades de pensamento derivadas de uma estrutura psicótica, as quais ocorrem em menor número de casos;
4. Fatores de deficiência orgânica: em casos mais raros.
Tendo em vista as considerações feitas até aqui é possível propor uma divisão didática, como base no modelo apresentado por Romero (1995), na qual, podemos situar os problemas, transtornos, distúrbios ou dificuldades de aprendizagem:
                   1. Variáveis pessoais, como a heterogeneidade ou a lesões cerebrais;
2. Variáveis ambientais, como ambientes familiares e educacionais inadequados;
3. Combinação interativa de ambos os tipos.
Segundo o autor, é possível situar as diferentes teorias ou modelos de concepção das dificuldades de aprendizagem em um contínuo pessoa - ambiente, dependendo da ênfase na responsabilidade da pessoa ou do ambiente na causa da dificuldade.
Em um extremo estariam todas as explicações que se centram no aluno e que compartilham a concepção da pessoa como um ser ativo, considerando o organismo como a fonte de todos os atos. No outro extremo, estariam situadas as correntes de cunho ambiental, que estão ligadas, em maior ou menor grau, a uma concepção mecanicista do desenvolvimento, considerando que a pessoa é controlada pelos estímulos do ambiente externo.

5 - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ROMERO, J. F. Os atrasos maturativos e as dificuldades de aprendizagem. In: COLL. C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995, v. 3Ballone GJ - Distúrbio de Déficit de Atenção em Adultos - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2001 - disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/voce/dda_adulto.htm
Declaração de Salamanca - Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais – Espanha, 1994.

Nesta palestra, procuro abordar alguns aspectos sobre os transtornos e/ou distúrbios de aprendizagem que, na atualidade, ganham maior destaque no ambiente escolar.

Quer saber mais?
Entre em contato e vamos conversar sobre... psicopedagogiamg@gmail.com
 

 




sábado, 30 de janeiro de 2016



Eu disse que o ano começou bem...
Primeira atividade de muitas que virão!


O ano de 2016 está só começando!!!!!

Todo inicio de ano a gente sempre se reveste de expectativas e planos. 

Mas, e depois? Quando passam-se as festas e o ano realmente começa... o que fazemos para dar vasão à nossas expectativas e consolidar os nossos planos?

As nossas escolhas farão toda a diferença nesta hora. As vezes, o nosso impulso inicial em busca de mudanças, se esbarra em nossa rotina e quando nos assustamos já estamos próximos ao fim do ano e nossas metas se transformaram em amargas frustrações.

Mas estamos, ainda, em tempo. Não passou o carnaval, não é mesmo?
Estamos no momento de pegar a nossa lista de resoluções e planejar as estratégias para nossa primeira meta. Vamos lá?

Qual o primeiro item de sua lista?

Em minha lista consta retomar o meu projeto do blog sobre educação...

Estou dando o meu primeiro passo!!!

E espero que seja o primeiro de muitos.

Alguém me acompanha nesta jornada???